Há filmes que chocam pela violência explícita — outros pela absoluta ausência dela, exigindo que o espectador preencha os silêncios com seu próprio horror. É essa segunda opção que faz de Zona de Interesse, de Jonathan Glazer, uma obra perturbadora e inesquecível.
⭐️⭐️⭐️⭐️☆ (4/5)
O comandante Rudolf Höss e sua esposa Hedwig, desfrutam de uma vida aparentemente comum em uma casa com um belo jardim. Mas, por trás da fachada de tranquilidade, a família feliz vive, na verdade, ao lado do campo de concentração de Auschwitz. O dia-a dia destes personagens se desenrola entre os gritos abafados de desespero de um genocídio do qual eles tem as mãos manchadas de sangue.
- Título Original: The Zone of Interest
- Gênero: Drama, História, Guerra
- Lançamento: 2023
- Duração: 1h 45m
- Orçamento: $15,000,000.00
- Bilheteria: $52,631,884.00
- Onde assistir: HBOmax
Uma família à beira do inferno — e quase alheia a ele
A trama acompanha Rudolf Höss (Christian Friedel), comandante de Auschwitz, e sua esposa Hedwig (Sandra Hüller), que vivem uma vida pacata com filhos, funcionárias domésticas e um jardim impecável — tudo ao lado do campo de extermínio mais famoso da história. A sala de estar é um lar idílico, mas a poucos metros ocorrem atrocidades indescritíveis.
O contraste é o ponto forte do filme: rotina familiar — o almoço, a conversa sobre o jardim — interrompida por sons abafados como gritos ou fumaça de crematórios. Essa convivência com a barbárie escancara o que Hannah Arendt chamou de “banalidade do mal” — a normalização da iniquidade.
Glazer promove terror pelo silêncio e pelos detalhes
O cineasta constrói o horror de forma indireta, explorando o que é visto e, acima de tudo, o que fica fora da tela. Ele evita mostrar o campo com a câmera, mas nos obriga a sentir sua presença: o que ouvimos e imaginamos cria uma sensação de desconforto maior que qualquer imagem explícita.
Em certas cenas, uma menina planta maçãs perto dos portões do campo enquanto a mãe lê “Joãozinho e Maria”. Um contraste sinistro que reforça a atmosfera macabra do filme, deixando a audiência pendurada entre a beleza aparente e o abominável escondido.
Repercussão e reconhecimento
O filme estreou no Festival de Cannes de 2023 e conquistou o Grand Prix e o prêmio da FIPRESCI. Também foi eleito o melhor filme de 2023 pela Associação de Críticos de Los Angeles (LAFCA), sendo amplamente celebrado por sua abordagem corajosa e inovadora.
O olhar de Glazer desafia o espectador a confrontar o horror escondido no cotidiano — e a responsabilidade de reconhecê-lo.
Zona de Interesse não é apenas mais um filme sobre o Holocausto. Pela escolha estética e moral de Glazer, torna-se um estudo sobre como o mal pode se disfarçar no banal. É um convite incômodo mas essencial para refletirmos sobre nossa própria indiferença diante das injustiças.
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Até a Próxima!










